Grupo de muçulmanos LGBTQI combatem a intolerância dentro da religião: 'Queremos promover a aceitação'


Um grupo de muçulmanos LGBTQI (a sigla abrange os queers, pessoas que não se veem como sendo exclusivamente do gênero masculino ou feminino, e intersexuais, ou hermafroditas) participou do Mardi Gras Gay e Lésbico de Sydney este ano. O objetivo foi conscientizar sua comunidade sobre a
homofobia.
Financiado por doações da entidade Mardi Gras and Lesbians Incorporated, o carro alegórico do grupo tinha 25 pessoas segurando uma faixa com os dizeres “Muçulmanos Contra a Homofobia”.
A organização responsável pelo carro foi a Muslims Against Homophobia Australia (MAHA – Muçulmanos da Austrália Contra a Homofobia), fundada em 2011 para servir de espaço seguro para os muçulmanos LGBTQI.
Alice Aslan, fundadora da organização, disse que as reações à participação do MAHA no Mardi Gras (a terça-feira de carnaval) foram em sua maioria positivas.
“Recebemos mensagens em nossa página do Facebook, e as pessoas ficaram muito contentes de nos ver. Muita gente nos aplaudiu no desfile. Acho que a comunidade gay também nos deu muito apoio”, ela disse ao Huffington Post Australia.
Apesar desse apoio todo, ela disse que muitos outros membros do grupo não participaram do desfile porque não contaram às suas famílias sobre sua identidade sexual e têm medo das reações negativas da comunidade muçulmana.
“Uma parte grande do grupo adoraria participar, mas não o faz por causa do estigma, porque seus pais não sabem, porque não querem envergonhar sua família e porque existe um ambiente homofóbico na comunidade muçulmana.”
Aslan disse que essa relutância é parte da razão por que a organização mantém contato com as pessoas através de uma página secreta no Facebook, na qual apenas muçulmanos queers podem tornar-se membros.
Segundo ela, a maioria dos muçulmanos considera que a homossexualidade é proibida pelo islã, razão pela qual é ainda mais difícil sair do armário.
“Os muçulmanos, em sua maioria, pensam assim. Enxergam a homossexualidade como uma espécie de doença mental.”
Aslan disse que uma ideia prevalente na comunidade muçulmana é que a homossexualidade é uma doença mental que pode ser curada.
“No longo prazo, acho que essa visão tem um impacto negativo sobre a saúde mental deles (os muçulmanos LGBTQI)”, ela disse.
São percepções como essas que o MAHA quer mudar, algo que, segundo Aslan, só pode ser conquistado iniciando-se um diálogo entre a comunidade LGBTQI e a comunidade muçulmana.
“Eles deveriam pelo menos começar a falar de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. No mínimo, deveríamos ter esse diálogo, e a partir dele haverá algum progresso”, ela opinou.
A participação no desfile do Mardi Gras é uma tática importante do MAHA. Em 2011, a burca com lantejoulas desfilada pelo grupo chamou alguma atenção.

Queremos chamar a atenção das pessoas para contestar a homofobia na comunidade muçulmana e promover a aceitação”, diz Aslan.
“Receber atenção crítica é muito melhor, e com o tempo levará a avanços.”
Aslan aconselha os jovens muçulmanos LGBTQI a procurarem as pessoas do MAHA e outras organizações semelhantes.
“Sem essas organizações, as pessoas não sabem o que fazer e acabam não conseguindo o apoio de que necessitam.”
Ela espera que em algum momento seja criada uma organização oficial e única que tenha o apoio do governo, que dê apoio às pessoas e as coloque em contato com outras.
“Dessa maneira elas sentirão que ser gays ou lésbicas é ok e que há outras pessoas como elas.”
Para Aslan, embora esse processo seja lento, o simples fato de iniciar um diálogo na comunidade muçulmana na Austrália já representa um passo na direção certa.

Fonte: BrasilPost

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